O fundo do mar

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Que vontade é essa que corrói por dentro?
Uma saudade de não sei o quê que ainda não conheço.
Uma lembrança vaga de infância à beira mar com primos a andar pela areia fofa.
Ondas altas que metiam medo e a companhia de amigos que me davam mãos e segurança para que eu fosse cada vez mais fundo.

Que lembrança é essa que me acompanha algumas manhãs?
Que de tão vaga chega a se esconder em algum lugar da memória que não consigo decifrar.
Que se confunde com a luz do sol a entrar pela greta da janela
E faz contornos na sombra do quarto que lembram algum dia que ficou lá atrás.

Que saudade é essa que não tem porque, nem hora marcada para sentir?
De um amor ainda não vivido, mas com ares de amores já experenciados.
De alguém que não tem rosto definido, mas vários rostos e personalidades indefinidos.
Um cheiro forte de perfume amadeirado misturado às flores da saia comprida.

Que ideia é essa que me acompanha?
De viver uma vida que não é a minha, mas que poderia ser.
Uma espécie de déjà vu, com versos escritos aleatoriamente nas páginas de um livro qualquer.
Que rimam ao sabor do vento e fazem chorar.

Ondas altas que se confundem com a luz que entra pela janela
E faz contornos na sombra do quarto.
Vejo no cantinho da memória o rosto de alguém que não conheço.
Mas tem os traços dos rostos de irmãos e amigos que me seguravam pelas mãos.

E, o fundo do mar é cada vez mais fundo.

Foto: Google

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