O redespertar do feminino e a manifestação das deusas no dia a dia

O crescente “redespertar” do feminino e a consequente manifestação dos arquétipos das deusas gregas nas mulheres contemporâneas nos leva a perceber que cada dia mais estamos presenciando o “retorno da Deusa”, como bem analisado e explanado por Jennifer Barker Woolger e Roger J, Woolger, autores de “A Deusa Interior”.

Este retorno da Deusa pode ser entendido como a própria antítese à sociedade patriarcal, pois vemos, também, sinais nítidos do surgimento de uma nova consciência e de uma nova lucidez feminina. Um dos sinais mais nítidos do surgimento desta nova consciência feminina pode ser visto no aumento dos movimentos feministas tanto no Brasil, como no mundo.

O redespertar do feminino e a manifestação das deusas pode ser observado, também, no crescimento do movimento e da consciência feminista como o recente movimento de atrizes de Hollywood para denunciar os abusos sexuais sofridos por diretores famosos; as denúncias feitas por inúmeras brasileiras contra os abusos praticados por um “médium” de renome e, até mesmo, a mudança – ainda que pequena – no padrão de modelos contratadas para comerciais de TV.

Nesse contexto, faz-se necessário compreender atitudes, comportamentos, pensamentos e sentimentos das mulheres afetadas pelos modelos arquetípicos das deusas gregas em meio a tanta efervescência social pelas quais as mulheres estão passando nos dias de hoje. O atendimento analítico, por sua vez, auxilia a mulher a perceber em quais padrões arquetípicos está enredada e saber se estes padrões estão atuando de maneira polarizada e, assim, ajudar a equilibrar as forças emanadas pelo arquétipo.

Compreender a função do mito na clínica analítica junguiana faz parte de todo o processo terapêutico para auxiliar a analisanda a sair da polarização do arquétipo e trazê-la ao equilíbrio.

Joseph Campbell, no livro “O Poder do Mito”, diz que a mitologia é a canção do Universo e que dançamos essa música mesmo quando não somos capazes de reconhecer a melodia.  Segundo o autor, mitos são aquilo que os seres humanos têm em comum, são histórias de nossa busca da verdade, de sentido e de significação através dos tempos.

São metáforas da potencialidade espiritual do ser humano, e os mesmos poderes que animam nossa vida, animam a vida do mundo. Campbell afirma que a função primordial da mitologia é fornecer os símbolos que levam o espírito humano adiante, em contraposição a outras fantasias humanas constantes, cuja tendência é de refreá-lo. 

Desde o início dos meus estudos em psicologia analítica, me interessei pelo estudo dessas forças arquetípicas – dos deuses e deusas que tanto influenciam a nossa psique – e, principalmente, como esta influência acontece nas mulheres. E, como geralmente acontece quando estamos abertos às possibilidades, o Universo trouxe várias mulheres para a minha clínica. Então, pude observar e concluir a partir dos atendimentos dessas analisandas como essas energias atuam.

O processo de trazer à consciência a energia polarizada da deusa que está atuando negativamente no inconsciente das mulheres – e, obviamente, também nos homens – propicia maior compreensão dos processos da psique e, portanto, auxiliam na quebra de padrões de comportamentos desfavoráveis ao indivíduo.

Obviamente, podemos estudar a simbologia do feminino na mitologia de outros povos. Mas, devido à grande influência da civilização e do pensamento grego no mundo ocidental optei por focar na mitologia grega. Claro que a abordagem das mitologias africana, egípcia, nórdica e hindu também são bem-vindas e, muitas vezes, encontramos paralelos entre uma e outra.

Abordar o feminino a partir de uma representação mitológica implica em reconhecer nos elementos do mito fenômenos psíquicos capazes de nos conectar com a totalidade da psique humana e implica em reconhecer seus elementos como imagens simbólicas multifacetadas capazes de conduzir a transformações.

Cada deusa, ao dar forma ao arquétipo, se apresenta como uma faceta do feminino. Quando o arquétipo é ativado em uma mulher, esta reproduz, inconscientemente, o padrão expresso por aquela deusa ou deusas e, com base neste padrão, é possível compreender qual aspecto do feminino a pessoa está vivenciando.

A partir deste post, irei apresentar os mitos das deusas gregas e, em seguida, uma análise como a influência de determinado arquétipo pode estar sendo positiva ou negativa na vida da mulher.

Evidentemente, a simbologia dos deuses gregos também afeta a psique feminina, pois deuses gregos também são ativados na psique feminina e vice e versa – arquétipos das deusas são ativados na psique masculina. No entanto, abordarei essas questões em posts futuros.

Todos estes posts são baseados no estudo que fiz sobre a “Função dos mitos das deusas gregas na clínica analítica junguiana na contemporaneidade”. Espero que esse estudo seja muito útil a todos que buscam uma compreensão maior sobre a influência destas energias tão antigas quanto o Universo em nossas vidas e psique.

Falei um pouco sobre a função do mito na clínica analítica neste post

E, você pode acessar em PDF um dos livros que utilizei durante esta pesquisa.

Se quiser entender mais como os arquétipos podem estar afetando sua vida, entre em contato. 

Sessões terapêuticas presencias e via skype:

Contato: (11) 9-9915-6533

E-mail: juliana.parlato@gmail.com

Referências bibliográficas:

BOLEN, Jean Shinoda. As deusas e a mulher. São Paulo: Paulinas, 1990
WOOLGER, J.B. e WOOLGER, R.J. A Deusa interior: Um guia sobre os eternos mitos femininos que moldam nossas vidas. São Paulo: Cultrix, 1987

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