Economia em tempos de crise

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Todo dia é a mesma coisa: ligamos a TV e o assunto principal é a crise econômica. Acessamos a internet e lá está a tal da crise sendo esmiuçada por analistas econômicos. O tema é capa de revistas semanais e manchete dos principais jornais. Aliado a isso, também estamos vivendo uma profunda crise política que, consequentemente, aprofunda ainda mais a econômica. No meio do tiroteio, estamos nós, cidadãos brasileiros, pessoas comuns, com muitos questionamentos.

Mas, a dúvida principal é: como sobreviver a esse terremoto sem cair nas armadilhas dos juros altos do cheque especial e do cartão de crédito – esses dois, aliás, grandes vilões do nosso orçamento. Enquanto os juros anuais do cheque especial estão em 242,9%, os juros do cartão de crédito batem os 372% ao ano.

Em relação ao cartão de crédito, este índice é aplicado no rotativo – quando o cliente paga um valor entre o mínimo e o total do valor da fatura e o restante é automaticamente financiado e lançado no mês seguinte. Imagine o valor da dívida ao final de um ano como o juros a 372%(!). Apenas como exemplo, vamos supor que você tenha uma fatura de R$ 1000,00 e pague apenas o mínimo, R$ 150,00  – 15% do valor total da fatura – e, deixe o restante para ser financiado e cobrado no mês seguinte.

Só que, no mês seguinte, você também não consegue pagar o total e também paga apenas R$ 150,00. Se a situação se repetir nos meses seguintes, você vai levar 12,8 parcelas de R$ 150,00 até quitar a sua fatura de R$ 1.000,00 do cartão de crédito. Ou seja, vai custar no total R$ 1.920,02, sendo R$ 920,02 de juros.

Portanto, a ordem do dia é organização financeira. E, esse lema deve ser lembrado e repetido várias vezes como um mantra para não cairmos em tentação e virarmos reféns de compras por impulso ou mal planejamento econômico.

Conselhos dos economistas

De tanto ler e ouvir dicas e conselhos dos economistas, já tenho uma lista básica de ações para me organizar e não deixar que meu orçamento entre em colapso. E você, já está se organizando financeiramente?

A primeira ação é colocar todos os gastos em uma planilha, que pode ser virtual ou até mesmo no papel. O que importa é ter uma visão geral dos gastos com alimentação e itens básicos, como a conta do convênio de saúde, cursos e compras de supermercado. Depois, aqueles gastos que podem ser minimizados ou até excluídos do orçamento, como: internet, TV a cabo e academia. Não que o acesso à TV a cabo não seja importante, mas em uma situação de emergência, pode ser excluído até que as contas estejam equilibradas.

E, por último, os gastos supérfluos, que são mais fáceis de eliminar como, por exemplo, o telefone fixo. Se você já tem o celular e internet como meios de comunicação e está endividado, não tem porque manter o telefone fixo. O cafezinho depois do almoço e a sobremesa também são itens que se, somados no fim do mês, podem fazer falta para pagar a conta de luz que, ultimamente, está bem alta.

Obviamente, muitos dos itens considerados supérfluos trazem conforto para nossa vida. Mas, para atravessar a crise, é necessário fazer cortes e, é mais fácil cortar quando as coisas ainda estão fáceis de manejar. O ajuste deve ser feito de maneira consciente, claro. De nada adianta cortar a academia se lá é um local que você se sente bem e revigorado depois de um estressante dia de trabalho. Sempre que cortar um item, tenha em mente se aquilo não vai realmente fazer falta. No caso da academia, o corte é feito se você tem a possibilidade de caminhar no parque ou fazer atividades ao ar livre.

Programando as despesas

Depois dos cortes nos gastos supérfluos é necessário ter como hábito algumas atitudes importantes para manter o bom planejamento financeiro, como programar suas ações antes de sair de casa para fazer compras. Ou seja, fazer uma lista do que você vai fazer na rua para não cair na tentação das compras por impulso. Tenha em mente, também, que o momento não é propício para compras com longos financiamentos, como carro, imóveis e outros bens. Os juros altos podem comprometer o pagamento das parcelas no futuro.

Outro item importante é fugir dos negócios em que a cotação seja em dólar. Caso vá sair de férias e tenha a intenção de viajar para um local em que a cotação seja nessa moeda, pese os prós e contras da viagem e só decida se estiver realmente certo de que tem o dinheiro disponível para a viagem. Afinal, viajar custa caro, ainda mais se a moeda em questão é o dólar. Caso decida pela viagem, leve dinheiro em espécie e/ou use cartões pré-pagos, em que a taxa de câmbio é estipulada no dia que você carrega o cartão. Isso evita dores de cabeça na volta da viagem.

Por outro lado, não é porque estamos em uma crise econômica que vamos parar de viver. Muitas vezes, surge um evento importante, como um casamento ou festa de aniversário, e precisamos comprar roupas e acessórios. Nesse caso, vale pesquisar as pontas de estoque e liquidações, que podem apresentar ótimas oportunidades de compras por preços mais acessíveis.

Nas pontas de estoque também é comum encontrarmos itens que poderão ser usados na estação do ano que vem por um preço bem menor. Nesse caso, opte por itens básicos para não cair no erro de comprar algo que vai sair de moda e a peça ficar esquecida no fundo da gaveta. Nesse tipo de compra, a ordem continua sendo não comprar por impulso. Avalie a compra e a real necessidade do item para evitar acumular dívidas desnecessárias.

Para as compras de supermercado, avalie o consumo da sua casa para evitar acumular produtos que perderão a validade e ficarão estragados. Se quiser aproveitar promoções de determinado produto em um supermercado, avalie se vale a pena o gasto com o deslocamento.

E, por último, mas não menos importante, pesquise preços. É comum supermercados oferecerem promoções em determinados dias da semana como, por exemplo, a segunda-feira para produtos de limpeza e higiene pessoal e a quarta-feira para frutas e legumes. Fique atento a essas ofertas e procure sempre produtos com o preço menor, mesmo que seja uma marca que você considera inferior. Lembre-se: em tempos de crise, o que vale é o produto mais barato e não a marca que ele leva no rótulo – que nem sempre é garantia de qualidade.

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